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9 de febrero de 2026

Lacunas de formação e profissionais no sector da construção nas Canárias.

Estudio

O setor da construção nas Canárias vive um momento de recuperação e transformação, marcado por uma elevada procura de atividade e emprego, mas também por importantes limitações estruturais que condicionam a sua capacidade de crescimento e modernização. A construção civil desempenha um papel estratégico na economia e no território do arquipélago, quer pelo seu impacto no emprego, quer pelo seu contributo para áreas-chave como a habitação, as infraestruturas e a reabilitação do ambiente construído.

Apesar da existência de uma procura constante de mão-de-obra, o setor enfrenta sérias dificuldades para atrair e reter trabalhadores. Esta situação não pode ser explicada apenas pela falta de formação, mas sim por uma combinação de factores, incluindo a imagem social do sector, a rotatividade de pessoal, o envelhecimento da população empregada e a incompatibilidade entre a formação e as condições reais de trabalho.

A análise do mercado de trabalho mostra que o principal problema do sector não é a falta de emprego, mas sim a escassez de pessoas dispostas a ingressar e a permanecer na indústria da construção civil. As dificuldades de recrutamento afectam praticamente todos os perfis profissionais, desde os ofícios tradicionais à gestão intermédia e aos técnicos. Além disso, observa-se uma desconexão parcial entre a qualificação inicial e o desempenho efetivo no local, o que obriga as empresas a empreenderem processos adicionais de adaptação e formação interna. Esta situação aumenta os custos para as empresas e limita a capacidade do sector de responder rapidamente à procura de produção.

O sistema de formação ligado ao sector da construção nas Canárias apresenta uma oferta ampla e diversificada, mas com discrepâncias relevantes em termos de âmbito territorial, orientação prática e adequação às reais necessidades do sector. A formação profissional formal não abrange especificamente muitas profissões tradicionais, enquanto os certificados profissionais, embora essenciais, têm um calendário descontínuo. A formação universitária proporciona perfis técnicos de elevado nível, mas exige uma maior ligação à realidade do trabalho e uma orientação mais prática. De um modo geral, o sistema de formação necessita de ser reforçado como a espinha dorsal do setor, caminhando para modelos mais flexíveis e modulares, adaptados ao território.

O estudo confirma a existência de lacunas significativas de formação e desenvolvimento profissional nas áreas da construção civil, gestão intermédia e em perfis ligados à digitalização, eficiência energética e reabilitação. Estas lacunas não resultam exclusivamente da falta de formação, mas sim de uma incompatibilidade estrutural entre a formação, o emprego e a organização do trabalho.

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